O karma dos homens-com-nomes-estranhos - ou - HONES pra lá, que esse corpo não te pertence!
Durante uma época da minha vida eu só me apaixonava por um determinado nome. Sei lá como, só os Beltranos se aproximavam. Aí eu apaixonava pelos Beltranos. E dá-lhe chorar por Beltrano, falar com Beltrano, escrever pro Beltrano, e aí por diante com o Beltrano, com a graça dos céus. Como tanto beltrano me traumatizou, prometi a mim mesma que fugiria deles. Estava decretado o fim da 'era Beltrano'. A partir daquele dia, somente Fulanos e Ciclanos. Mas qual o quê! Os anjos não entenderam bem as minhas preces e começaram a me mandar Asclênios, Gestrobaldos, Vandisclêisons e, quem diria, Epaminondas. Nomes estranhos, de origem grega, russa ou mente insana de alguma mãe que comia grama ao invés de comida. Um dos moçoilos tinha um nome que permitiu um trocadilho pavoroso envolvendo a palavra 'clitóris'. Não foi legal. Tantos nomes estranhos me permitiram criar uma categoria de homens: os homens-com-nomes-estranhos, ou, simplesmente,
HONES.
Pois bem, a partir de hoje está DECRETADO o fim da ERA
HONES na minha vida. Chega de nomes estranhos. Não pelos nomes e trocadilhos que invariavelmente são feitos, e sim pelas seqüelas que os
hones deixaram em minha vida. Sim, porque eles têm nomes estranhos e SÃO estranhos. Deve haver algum tipo de relação entre o nome e o jeito de ser, com certeza. Uma pessoa que cresceu ouvindo piadinhas do tipo 'seu nome é molho inlgês' ou 'puxa, seu irmão se chama Wildson? E eu que achava que seu nome é que era estranho...' não cresce de maneira normal. Os
hones não têm um comportamento pré-determinado mas, invariavelmente, agem de maneira incongruente e absolutamente sem noção.
Um
hone pode sair contigo uma vez na vida, te considerar A mulher e sofrer (é, sofrer) durante meses porque você não o incluiu na vida dele. Na verdade, você não incluiu porque ele beija babado, e baba é tudo o que você não precisa. Mas esse
hone é legal, e você liga no dia do aniversário dele, que, desvairado, quase desliga na sua cara dizendo algo do tipo 'você não me aceitou como homem em sua vida, não me venha com prêmio de consolação, se eu não sirvo como namorado não sirvo para receber sua ligação no aniversário'. Ok, Altolfo Asclécio, agora desce do palco e tira o pó de arroz da cara.
Um
hone pode também iniciar um relacionamento intenso contigo, uma coisa louca de querer te ver todo dia, e, de repente, enjoar. É, enjoar, de uma hora para outra. Vocês estavam levando uma vida de namoradinhos, já que ele morava sozinho, e aí ele acorda decidido a te excluir da vida dele. E te exclui, sem direito a nada, nem ligação no dia do aniversário. Cruel.
Um
hone pode viajar contigo e com seus amigos e ser O namorado. Mas aí ele desconfia que você está de caso com seu ex, ali, na mesma casa. Ou seja: ele te acha uma rapariga sem gabarito. Pois bem, o
hone dá chilique, se joga no chão, só não te joga na parede. Depois pede desculpas. Você, louca apaixonada, acredita. Aí o
hone resolve te cercar de novo. Cercar, sim, já que anos mais tarde ele confessa que chama as 'mulheres dele' de 'cabritinhas'. Bé. Mas o
hone não fode nem sai de cima, e, não mais que de repente, começa a namorar OUTRA! Você, sem vergonha nenhuma na cara lavada SE permite manter apaixonada por ele por dois longos anos. Dois anos de idas e vindas. Aí você decide desencanar. 'Chega', grita seu coração apaixonado (fundo musical de Julio Iglesias). E realmente chegou pra você. Mas não pro
hone, que descobriu que tu és divina e graciosa. Tu és a estátua majestosa do amor por Deus esculturada. Ele te quer, gata. Quer te pegar no colo, te deitar no solo, ele quer te amar e fazer um amor gostoso. Béééé.
Por fim, um
hone pode parecer o homem que você sempre pediu a Deus. Interessante, descoladinho, engraçado, inteligente, bobo a ponto de rir das suas piadas. Um
hone que faz você cair de quatro e sair engatinhando até a Venezuela. Um
hone que te tira o fôlego, que te escreve, te liga, conversa com as suas amigas, é gentil. Um
hone que dança contigo. É: d-a-n-ç-a contigo. Uma loucura. Vocês estão felizes, vocês parecem apaixonados, vocês fazem planos de viagens bucólicas para comer fondue (com trocadilho). Mas um dia esse hone dorme com a bunda descoberta e, logo cedo, ao invés de 'bom dia, flor do dia' ele diz 'melhor pararmos por aqui. Acho que ainda não esqueci minha ex'. ÃH? CUMA? EX? Mas ontem fomos jantar fora. Anteontem fomos ao cinema. Nem a pau, Juvenal! Você chora, desconsolada. Suas amigas, que o conheceram, acham que ele enlouqueceu, tomou chá de cogumelo, comeu bosta: porque NINGUÉM muda assim, de uma noite pra manhã seguinte. No entanto ele é hone, e hones são incoerentes. 'Nossa, essa ex deve ser uma potranca louca na cama e a reencarnação da Marie Curie fora dela'. Rá rá rá. Quanto à cama eu não sei e nem quero saber. Mas quanto à inteligência... Hum... Er... É pra se rasgar.
Depois de tudo isso, tenho ou não tenho razão em querer que toso os hones fiquem a anos-luz de distância de mim? Pois então, a partir de agora, só João. José. Pedro. Lucas. Wildsglêidsons nunca mais.